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  • Foto do escritorLuciana Garcia

AS ORIGENS DO MÉTODO ANTIORATÓRIA

Atualizado: 8 de dez. de 2021




O nome AntiOratória me acompanha desde 2011. Eu acabara de me formar como atriz na Casa das Artes de Laranjeiras (a CAL) no Rio de Janeiro e havia me mudado para Florianópolis, por onde fiz uma breve passagem. Vinha com muitas referências novas, advindas das artes cênicas e da dança, que me atravessavam de todas as formas. Eu estava morando num local fora do eixo cultural, digamos assim, e precisava adaptar a minha expertise à demanda do mercado.


Depois que decidi me dedicar a treinamentos relacionados à comunicação, veio a fatídica escolha de um nome para este trabalho que eu queria desenvolver. Todas as pessoas que vinham conversar comigo, falavam muito em Oratória, em Curso de Teatro para perder a timidez, Teatro para Não-atores. Com todas essas coisas na minha cabeça eu só pensava: não é isso, não é isso, não é isso. Tudo que eu via e entendia sobre esses cursos de teatro e oratória até então era algo muito engessado. Era uma parafernália teórica que enrijecia ainda mais o processo de criação do emissor da mensagem - e na minha concepção, a comunicação está diretamente ligada à criação. Quem está falando, está imaginando uma forma de tirar a informação de dentro da sua cabeça e fazer o máximo para que ela chegue intacta à cabeça do outro. Afinal de contas, o que vem primeiro: o ovo ou a galinha? A necessidade de falar ou a emissão de ruídos?


Estudos recentes têm apontado a formação da memória de longo prazo relacionada à linguagem. Desta forma, o homem das cavernas talvez não fosse capaz de lembrar de muita coisa, pois não possuía uma linguagem específica para dar sentido àquelas informações.


É claro que isso é apenas uma teoria. Mas sabemos que o receptor, tem seus filtros e sua interpretação do mundo – que interferem de forma brutal no que ele é capaz de absorver da mensagem que chega até ele. Assim, é muito curiosa a forma tão diferente com que as pessoas recebem o nome AntiOratória. Há quem ame, há quem odeie. Cada um com seu filtro. De qualquer forma, eu precisava me conectar de maneira sensível com aquelas pessoas já cansadas de regras rígidas, pessoas interessadas em conhecer uma nova abordagem sobre como se comunicar melhor.


A ideia deste nome partiu da Antiginástica - técnica francesa de trabalho corporal que visa exercitar o corpo respeitando os limites de cada um, muito mais na linha da descoberta individual do que da sequência ou série de repetição. AntiOratória é então a oratória flexível, onde cada um descobre e desenvolve o que tem de melhor. Não para se tornar o próximo Silvio Santos, mas para ser a melhor versão de si mesmo. Sei que é um pouco desafiador para algumas pessoas entenderem isso, de treinar oratória sem ser “oratória”, mas tudo que é novo começa assim.


A etimologia do prefixo ANTI, é muito curiosa. O ANTI pode assumir tanto uma conotação contrária, mas também um movimento inverso, que não é necessariamente contra o que está posto, mas sim uma releitura de um postulado com a intenção de expandir a sua abrangência e significado. O método AntiOratória deflagra a transbordante urgência de uma comunicação mais humanizada: pacífica, multiplicadora e reverberante. A dimensão estética desta abordagem, nos possibilita estarmos integrados ao tempo presente, a um movimento atual e contínuo. Líquido, plural e humano. Demasiadamente humano.



foto: PXhere

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